Dobradinhas familiares devem marcar eleição no Amazonas
Candidaturas articuladas entre parentes evidenciam busca por influência no Legislativo estadual e federal.
Danilo Mello Aleam e Pedro França /Agência Senado) As eleições deste ano no Amazonas devem ser marcadas por uma estratégia cada vez mais recorrente no cenário político local: as chamadas dobradinhas político-eleitorais familiares, em que parentes disputam simultaneamente vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam).
O movimento, já tradicional nos bastidores da política amazonense, ganha força no pleito de 2026 e expõe como famílias e grupos políticos buscam manter espaço institucional em diferentes esferas do poder.
Um dos exemplos mais evidentes é o da deputada estadual Joana Darc (UB), que deve disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília. Ao mesmo tempo, o marido, o vereador Aldenor Lima (UB), prepara candidatura à Assembleia Legislativa, numa clara tentativa de ampliar a presença do grupo político da família no cenário estadual e federal.
A mesma estratégia se repete no grupo do presidente da Aleam, Roberto Cidade (UB), que desponta como nome para a Câmara Federal. Paralelamente, o pai, conhecido como Robertão Cidade (UB), deve entrar na disputa por uma vaga de deputado estadual, em uma movimentação interpretada como esforço para preservar a influência política da família no Parlamento estadual.
Outro caso emblemático é o do deputado estadual Felipe Souza, atual líder do governo Wilson Lima na Aleam, que deve buscar uma vaga de deputado federal pelo Podemos. Na composição familiar da chapa, a filha, Thaysa Lippy, surge como nome cotado para a Assembleia Legislativa, reforçando o modelo de sucessão política dentro do mesmo núcleo familiar.
A “dobradinha” também se desenha com o ex-superintendente da Suframa, Coronel Menezes (Avante), que deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Avante. Ao lado dele, a filha, a deputada estadual Débora Menezes (PL), deve concorrer à reeleição para a Aleam pelo PL, buscando consolidar a presença da família no Legislativo estadual.
Perpetuação
Nos bastidores, o fenômeno é visto como uma estratégia eleitoral de maximização de votos e capilaridade política.
Ao dividir candidaturas entre parentes em diferentes cargos, os grupos ampliam alcance territorial, compartilham bases eleitorais e fortalecem estruturas partidárias.
Na prática, a fórmula também permite que sobrenomes já consolidados permaneçam em evidência, dificultando a renovação política e a entrada de novos atores no processo eleitoral.
Especialistas em ciência política costumam apontar que esse modelo reforça a personalização da política e a manutenção de oligarquias regionais, sobretudo em estados onde o capital político familiar ainda exerce forte influência sobre o eleitorado.
No Amazonas, esse tipo de composição não é novidade. Ao longo das últimas décadas, diversas famílias construíram trajetórias duradouras no Legislativo, no Executivo e em órgãos de controle, formando redes de influência que atravessam gerações.
A eleição deste ano, ao que tudo indica, deve aprofundar esse cenário.
Mais do que simples alianças eleitorais, as dobradinhas familiares revelam uma disputa pelo controle de espaços institucionais e pela preservação de capital político, em um movimento que tem como pano de fundo a tentativa de perpetuação no poder.



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