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Nova York começa a compartilhar respiradores: ‘a outra opção é a morte’

A medida desesperada pode ajudar a aliviar a demanda pelo equipamento e ajudar outros hospitais do país a atender a grande quantidade de pacientes esperada para as próximas semanas.

27/03/2020 18h33
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Por: Jéssyca Seixas Fonte: Metrópoles
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Diferentes hospitais de Nova York já passaram a tratar dois pacientes com o mesmo respirador. A medida desesperada pode ajudar a aliviar a demanda pelo equipamento e ajudar outros hospitais do país a atender a grande quantidade de pacientes esperada para as próximas semanas.

O Hospital Presbiteriano de New York começou a compartilhar os respiradores esta semana, segundo o Dr. Laureen Hill, diretor de operações da Universidade Presbiteriana/Columbia Irving Medical Center. Essa possibilidade havia sido explorada em alguns estudos científicos e usada apenas em dois momentos de crise: como a própria epidemia na Itália e o tiroteio em massa de Las Vegas, em 2017. Acredita-se ser a primeira vez que a estratégia é adotada em larga escala nos EUA.

- Estamos fazendo algo nunca antes feito, disse o Dr. Jeremy Beitler, especialista em doenças pulmonares na NewYork-Presbyterian/Columbia. - Agora é a hora de fazê-lo.

O governador de New York, Andrew M. Cuomo, disse ontem que o estado experimentou o novo método e que o mesmo está inclusive sendo considerado pelas autoridades oficiais. Esta semana a Food and Drug Administration (FDA), a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, concedeu uma autorização de emergência para a utilização de um aparelho chamado Vesper, desenvolvido pela Prisma Health, na Carolina do Sul, capaz de adaptar um respiardor para o uso de quatro pacientes.

A medida tomada por New York reflete a extrema necessidade sentida em todo o mundo de fazer com que os respiradores atendam a mais pacientes infectados pela Covid-19.

Em 14 de março, a Dr. Charlene Babcock, uma médica do setor de emergência do Hospital Ascension St. John em Detroit, postou um vídeo no YouTube mostrando como adaptar um respirador a fim de manter quatro pessoas respirando ao mesmo tempo. O vídeo já tem mais de 724.000 visualizações.

Geralmente, quando a respiração de pacientes é feita de forma mecânica, um tubo flexível é introduzido em suas traquéias e por meio de uma bomba envia oxigênio a seus pulmões. No vídeo, a Dra. Babcock utiliza um tubo em fora de T e três adaptadores para dividir duas válvulas em quatro saídas. A Dra. Babcock e o Dr. Greg Nyman já haviam publicado esse estudo em 2006, mas o testaram em quatro simuladores de pulmões, não em pacientes.

- Atenção, este é um uso alternativo para o respirador, diz a Dra. em seu vídeo. - Se eu tivesse quatro pacientes necessitados de entubação e só tivesse um respirador, eu simplesmente conversaria com seus familiars e diria 'posso escolher um para ser salvo ou podemos tentar salvar a vida dos quatro'.

O Hospital Presbiteriano de New York está compartilhando um respirador para apenas dois pacientes. O Dr. Beitler enfatizou que cada paciente está recebendo a mesma quantidade de oxigênio. Segundo ele, o hospital ainda não esgotou o número de respiradores, que acredita ser melhor testar a técnica agora do que quando não tiverem nenhuma outra opção. 

As autoridades estão desesperadas por novos respiradores porque acreditam que a demanda aumentará muito nas próximas semanas. Mesmo após o envio de 4000 máquinas do governo federal, o Estado prevê que não será suficiente.

- Nosso maior desafio são os respiradores, tuitou o governador Cuomo na quarta-feira. - Precisamos de 30.000 respiradores. Só temos 11.000.

Com cerca de 175.000 respiradores disponíveis no território nacional, outros estados também estão preocupados com a escassez. Isso poqrue, normalmente, os pacientes de coronavírus precisam utilizar os respiradores por dias ou semanas.

Esse compartilhamento de respiradores é muito controverso entre os especialistas, afirmou o Dr. Josh Farkas, professor assistente de pneumologia na Universidade de Vermont.

- Esta é uma técnica que pode funcionar por algumas horas, mas existem outros obstáculos importantes", disse o Dr. MeiLan Han, um pneumologista da Universidade de Michigan e porta-voz da Sociedade Americana de Pneumologia.

Entre as precoupações estão a dificuldade de se monitorar cada paciente individualmente; o potencial de contaminação cruzada de doenças infecsiosas e a possibilidade de em vez de dar um tratamento eficaz a uma só pessoa, estar cuidando de forma insuficiente de vários.

- Ao ventilar um paciente, estamos tentando controlar duas coisas: a pressão e o volume, explicou o Dr. Han. Para isso funcionar, todos os pacientes têm que ter as mesmas necessidades. E alguns têm necessidades específicas.

- Se você tem um par de pulmões em boa forma, vai funcionar muito bem. Mas se os outros pulmões estiverem tomadas pela pneumonia provocada pela Covid-19, eles não receberão nada. Não há como controlar isso - atestou.

A falta de evidências é o que preocupa o Dr. Branson.

- Acho que o momento para testar tratamentos alternativos ainda não testados em humanos não é durante o surto de uma pandemia, afirmou. 

Mas a pandemia está estrapolando as regras.

Autor de um estudo feito com respiradores em 2008, o Dr. Lorenzo Paladino, professor associado da Universidade Suny Downstatte de Ciencias da Saúde, no Brooklyn, conseguiu junto com seus colegas manter vivas quatro ovelhas adultas com um único respirador por 12 horas. Na terça-feira, enquanto cuidava de pacientes da Covid-19 no Kings County Hospital, ele recebeu uma ligação de Washington convidando-o a discutir suas pesquisas com as autoridades federais.

Na quarta, ele se encontrou com os diretores da FEMA, agência federal americana de gestão de emergências, para criar protocolos para a utilização de um mesmo respirador para vários pacientes.

- Passamos o dia todo definindo esses protocolos. A ideia é que o governo federal transmita essas orientações para médicos e hospitais de todo o país.

Ele reconhece, porém a existência de riscos.

- Ninguém concorda que esta é a melhor forma de ventilar alguém. Esta é uma medida de emergência diante de um cenário apocalíptico de não termos mais respiradores, resumiu. - Não é o ideal, mas a outra opção seria a morte.

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