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10/09/2018 ás 13h36

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Jéssyca Lorena

Manaus / AM

‘Asfaltar BR-319 pode espalhar ocupação caótica do tamanho da Alemanha’, diz jornal
A matéria faz parte de uma série de reportagens do veículo sobre os dilemas amazônicos a serem enfrentados pelo próximo Presidente da República
‘Asfaltar BR-319 pode espalhar ocupação caótica do tamanho da Alemanha’, diz jornal
Reprodução

O jornal Folha de S. Paulo produziu uma reportagem intitulada ‘Projeto Amazônia – BR-319: asfaltar ou não asfaltar?’, na qual percorreu trechos da estrada, em agosto deste ano, e tentou mostrar os prós e contras da pavimentação da rodovia. A matéria faz parte de uma série de reportagens do veículo sobre os dilemas amazônicos a serem enfrentados pelo próximo Presidente da República.


A Folha inicia a reportagem citando uma das vilas que fica às margens da estrada, a Realidade (AM), que, segundo o jornal, segue o ciclo de exploração descontrolada de madeira e abre espaço para grilagem na região: “A diferença é que a vila fica às margens da BR-319, que, se asfaltada, pode espalhar esse modelo de ocupação caótica a uma área da floresta maior que a Alemanha”, afirma a publicação.


Inaugurada em 1976, a BR-319 tem quase 900 km e é a única ligação rodoviária de Manaus ao resto do país, via Porto Velho (RO). Contra a praxe, foi entregue asfaltada, mas a falta de manutenção fez com que perdesse o pavimento até ficar intransitável, em 1988.


O jornal apontou a ausência do Estado na rodovia que piorou em outubro do ano passado, quando garimpeiros incendiaram os escritórios do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em Humaitá (AM), município ao qual a vila de Realidade pertence.


“A BR-319 é uma enorme ameaça à floresta porque abre a metade que sobrou da Amazônia brasileira à entrada de desmatadores”, diz o ecólogo norte-americano Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).


Apoio à pavimentação


Na matéria da Folha, a maioria dos moradores da estrada entrevistados pela reportagem apoiam a pavimentação da rodovia.  Moradora do “trecho do meio”, Maria José Cordeiro, 72, vive há quase quatro décadas sem eletricidade. Ela e a família sobrevivem de uma pequena lavoura e de uma pousada, onde também servem comida.


“Quem não é [a favor do asfaltamento]? Só se for aleijado ou doido”, diz Cordeiro. “Os homens chegam de pescoço seco de tanto andar aí na pista. Arranca pneu, fura pneu, chegam só os molambos”, disse.


O jornal pediu aos principais candidatos à Presidência da República que explicassem projetos para a BR-319. Três candidatos não responderam: Jair Bolsonaro, Ciro Gomes e João Amoedo.

FONTE: Amazonas1

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