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Expulso da PM, Gabriel Monteiro nega deserção: 'Fui dispensado por questão médica'

A decisão de expulsar Gabriel foi do secretário da PM, coronel Rogério Figueredo.

05/08/2020 10h27 Atualizada há 2 meses
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Por: Jéssyca Seixas Fonte: Extra
Divulgação
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Expulso na Polícia Militar do Rio de Janeiro por deserção, o youtuber Gabriel Monteiro considera sua exoneração ilegal. Em entrevista ao EXTRA nesta quarta-feira, dia 5, um dia após a decisão ser publicada no Boletim da PM, o policial disse que foi dispensado por questões médicas todos os dias que estaria de plantão na corporação, entre 22 e 31 de julho. O youtuber era lotado no 34º BPM (Magé). Na decisão publicada na noite de terça-feira, obtida pelo EXTRA, consta que Monteiro faltou o serviço para o qual foi escalado no dia 22 de julho deste ano. Segundo a polícia, o youtuber teria permanecido até o dia 31 sem dar qualquer satisfação sobre seu paradeiro à corporação e completou mais de oito dias de ausência, o que configura o crime de deserção previsto no artigo 187 do Código Penal Militar.

Ainda segundo informações do processo de deserção de Monteiro, houve tentativas de encontrá-lo no endereço fornecido por ele à corporação, mas o atual morador do imóvel informou que o PM não residia naquele local. A decisão de expulsar Gabriel foi do secretário da PM, coronel Rogério Figueredo.

Monteiro enviou ao EXTRA cópias dos documentos das inspeções médicas realizadas nos dias 23, 27 e 29 do mês passado, assinados por três oficiais da corporação, entre eles o tenente-coronel Luiz André.

— Essa decisão é ilegal. A própria polícia falou que desertei, mas tenho documentos que comprovam que oficiais me dispensaram por questão de saúde. Estou com crises de ansiedade, dores fortes de cabeça, e a pressão aumentando. Fui dispensado do serviço por estresse na polícia. Isso é perseguição — afirma o PM, antes de justificar e dar a versão de que esteve no Batalhão para informar o motivo das ausências.

— Me ausentei porque tinha licença, não deixei de ir ao trabalho. Fui três ou quatro vezes no meu batalhão para informar. Quero que reconheçam esse absurdo. Se os documentos que estou apresentando forem fake ou manupilados no photoshop, eles podem me denunciar no MP. Mas são oficiais.

Nesta manhã, Monteiro esteve no Hospital da PM e disse que conversou com o tenente-coronel que assinou uma das perícias que ele foi submetido e que autorizou a dispensa médica. Ele fez imagens do consultório e publicou um vídeo em seu canal nas redes sociais.

Procurada pelo EXTRA, a PM ainda não respondeu aos questionamentos nem sobre as acusações de Monteiro.

Processo e porte de arma suspenso

Gabriel afirmou que está sendo perseguido na corporação e disse que, no passado, já teve uma primeira expulsão pedida, mas que foi reconsiderada.

— Se precisar, vou entrar na Justiça para ser reincorporado. Vou provar que eles estão errados, que o secretário está errado. Ele já me colocou no conselho no ano passado. Fiz um vídeo no qual mostrei que um coronel tratava mal e tenta bater em jovens, mulheres e até deficientes em frente à Câmara Municipal do Rio. O secretário me levou ao conselho e pediu a minha expulsão. Em menos de 24 horas, ele reverteu a decisão — conta.

O youtuber já respondia a um processo administrativo disciplinar desde março deste ano, ocasião em que teve o porte de arma suspenso. Um deles é justamente um caso que envolve o ex-comandante geral da PM coronel Ibis Silva Pereira, na situação citada pelo próprio Monteiro. O processo administrativo também poderia levar à expulsão de Gabriel.

Segundo relatório da comissão de revisão disciplinar, o soldado desrespeitou o coronel em pelo menos duas ocasiões. Em uma delas, o PM gravou um vídeo na presença do oficial e publicou na internet, sem autorização, afirmando que Ibis foi visto entrando em uma área dominada por uma facção criminosa.

O documento narra que no dia 23 de outubro do ano passado o soldado se passou por estudante universitário para marcar uma conversa com o coronel Ibis no gabinete da deputada Renata Souza (PSOL/RJ), na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde o oficial trabalhava como assessor parlamentar.

Na hora marcada, o soldado ligou para o gabinete e disse que não conseguia entrar no edifício da Alerj pois estava de bermuda, então pediu que o coronel descesse para conversar com ele do lado de fora. Ao encontrá-lo, o oficial reconheceu Monteiro. Sem aviso prévio, o soldado começou a filmar uma entrevista com o coronel e posteriormente publicou o vídeo na internet sem permissão.

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