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Funk

‘A criminalização não começa nem vai terminar com o funk’, diz funkeiro

‘Funk não é apenas um batida e uma letra sacana. Funk é um estilo de vida’, disse ele

13/12/2019 18h06
Por: Jéssyca Lorena
Fonte: UOL
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Reprodução
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Dos nove jovens que morreram em Paraisópolis em 1º de dezembro, depois de uma batida policial, nenhum deles era daquela quebrada. Vindos de Carapicuíba, Pirituba, Mogi das Cruzes ou do Capão Redondo, naquela noite todos aqueles meninos (e uma menina) atravessaram a cidade e percorreram quilômetros com um só objetivo: curtir o funk, que, atrás do sertanejo, é o ritmo que mais vira a cabeça da juventude.

Há anos, numa tentativa de contornar os problemas causados pelos bailes funk cravados em vielas e ruas pequenas das periferias e comunidades — barulho, acúmulo de lixo e desorganização são alguns dos mais comuns —, o poder público tem apostado em festivais "permitidões".

No Rio, a prefeitura apoia o Rio Parada Funk desde 2013. Em São Paulo, o projeto-piloto do Festival Funk da Hora, em Cidade Tiradentes, leva funk "oficial" e organizado ao bairro. Já houve outros: entre 2008 e 2010, o então prefeito Gilberto Kassab apoiou a realização de shows de funk ali. Dessa vez, o evento terá palestras, shows e mesas de debates. A proposta é debater a cultura do funk e a descriminalização do gênero musical.

Funk como resposta

Funk não é apenas um batida e uma letra sacana. Funk é um estilo de vida. "É o que dá sentido, é um grito de humanidade dos jovens da periferia", afirma Juliana Lessa, professora de história e doutoranda em história social pela PUC-RJ. Hoje, o funk já é reconhecido como um movimento cultural, assim como o rap e samba, que também nasceram nas periferias das cidades brasileiras.

Em comum com os outros ritmos, o funk também passou por um processo de criminalização, cujo ápice foi a tragédia de Paraisópolis. "O preconceito não é musical nem cultural. É com sua origem, de onde ele vem e com as pessoas que o fazem e o consomem", diz Lessa.

Para quem vem da quebrada, isso é ainda mais claro. "A criminalização não começa nem vai terminar com o funk", diz Bruno Ramos, representante nacional do Movimento Funk e membro do coletivo Favela no Poder. "Essa parte da criminalização é estimulada pela grande mídia e pelo poder público quando ele abre mão de infraestrutura para a comunidade. A ausência de políticas públicas na periferia faz com que a repressão aumente", afirma.

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