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Aumento

Disparada do preço da carne derruba vendas e afasta clientes em Manaus

Segundo um relatório divulgado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o Brasil é o terceiro país no ranking dos que mais consomem carne no mundo.

02/12/2019 14h24Atualizado há 4 dias
Por: Jéssyca Lorena
Fonte: A crítica
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Reprodução
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O aumento de preço da carne vermelha surpreendeu os consumidores amazonenses. De acordo com a Scot Consultoria, nas últimas semanas, a carne bovina desossada ficou 22,9% mais cara no mercado atacadista na média de todos os cortes pesquisados no Brasil, o que trouxe impactos nas redes de supermercado e na mesa do consumidor. Para acompanhar a reação dos compradores,  A reportagem esteve em alguns frigoríficos e redes de supermercado da capital, nesse domingo (1º).

Em uma unidade da rede de supermercado ‘Baratão da Carne’, situada no bairro Flores, Zona Centro-sul de Manaus, um banner foi colocado pela administração da loja, nas proximidades do açougue, onde consta uma mensagem que pede a compreensão dos consumidores devido à alta no valor do produto. “Apesar dos nossos esforços e insistentes negociações, os preços estão subindo contra a nossa vontade”, salienta trecho da mensagem no cartaz.


Segundo Maria Aldeniza, que é gerente do ‘Baratão da Carne’, os cartazes foram colocados em todas as unidades da capital, há cerca de duas semanas, com o objetivo de informar os clientes.  “Quando os preços começaram a subir, o movimento começou a diminuir e consequentemente as vendas caíram, mas depois de algum tempo estabilizaram porque as pessoas confiam na qualidade do produto”, frisou a gerente.

‘Absurdo’

Juliana Ribeiro, que é assistente administrativo, disse à reportagem que passou por três açougues em busca de carnes com um valor acessível. “O aumento é absurdo. Para caber no bolso da gente, só resta pesquisar, senão vamos ter que abolir do nosso cardápio por enquanto”, frisou a consumidora. 

Vagner de Souza, que é gerente do supermercado afirmou que, no local, a carne teve um aumento de cerca de 50%. O gerente acrescentou que, no estabelecimento se vende carnes do ‘boi capão’, acima de 18 arrobas, e por conta disso, o movimento no estabelecimento não teve tantas alterações.

“Tivemos impacto em alguns tipos de carne. O quilo (kg) da alcatra, por exemplo, que custava R$ 23,00, está sendo vendido por R$ 34,00 e a picanha, que antes era vendida por R$ 39,00 está saindo por R$ 45,00. Mas existem muitas variações de preços”, salientou Vagner, acrescentado que a carne utilizada para as vendas vem de um frigorífico do Acre (AC).

Baixo fluxo

No Frigorífico Vitello, situado no bairro Colônia Santo Antônio, Zona Norte de Manaus, a reportagem constatou um baixo fluxo de pessoas e, além disso, várias prateleiras vazias, sem a carne vermelha. De acordo com a representante comercial do estabelecimento, Tamara Sales, além de um fornecedor do produto, situado na Boca do Acre, a empresa passou a procurar outros fornecedores para realizar a comparação de valores.

“Estamos trazendo carnes de Boa Vista (RR) porque, com a falta do produto, os preços se elevaram de tal forma que foi preciso recorrer a outras possibilidades para verificar a média de compra. Houve o acréscimo de R$ 5,00 para cada tipo de carne. O preço aumentou, não apenas para os tipos mais nobres, mas para todos os tipos”, frisou a executiva.

A consultora de vendas, Lorena Nunes, afirmou que notou a diferença nos preços quando foi ao estabelecimento fazer as compras mensais. Ela acrescentou que vai alternar a compra da carne com outros tipos de alimentos. “Vou continuar consumindo carne, mas em menor quantidade. Às vezes vamos substituir por frango ou peixe”, frisou a consumidora.

Açougue com movimento reduzido

No supermercado DB, situado no bairro Mundo Novo, Zona de Manaus,  A CRÍTICA observou uma extensa fila na peixaria do estabelecimento. Em contrapartida, em frente ao açougue, a quantidade de pessoas era muito inferior. A dona de casa, Franciane de Sá, lamenta o aumento de preço da carne vermelha. 

“Há cerca de duas semanas estamos procurando mais peixe e ovos para comer, apesar da carne estar mais cara, acredito que estamos nos alimentando de forma mais saudável”, disse a dona de casa.

A diretora do estabelecimento, Elane Medeiros, salientou que os setores comerciais vão fazer planejamentos para oferecer alternativas aos clientes, em relação a outros segmentos alimentícios. “Em linhas muitos gerais, vamos procurar melhores ofertas de outros tipos de carnes como o frango. Vamos verificar o cenário e analisar os impactos para esta próxima quinzena”, afirmou Elane.

Segundo um relatório divulgado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o Brasil é o terceiro país no ranking dos que mais consomem carne no mundo. Na lista consta que em 2018, o Brasil foi responsável pelo consumo de 13% da carne mundial, responsável por 7 milhões de toneladas de carne bovina, ficando atrás de Estados Unidos, que consumiu 20% e da China, responsável por 14% do consumo de carne vermelha.

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