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Balanço

Mais de 1 mil casos de bullying são registrados em escolas de Manaus

Levantamento revela que esses casos representam 13% das ocorrências que ocorrem na capital

08/11/2019 08h35
Por: Fernanda Souza
Fonte: Acrítica
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Reprodução
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Estudo realizado no fim do ano passado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) registrou 1.063 casos de bullying nas escolas de Manaus, o que corresponde a 13% das ocorrências no ambiente de ensino. O levantamento é baseado em mapa de vulnerabilidade social a partir dos livros de registros das escolas estaduais da capital.

“Não são dados fidedignos, pois falta o registro do local onde os casos ocorreram. No entanto, isso nos ajuda a sistematizar as campanhas”, explica a professora Aldenilse Araújo da Silva, gerente de Programas e Projetos Complementares da Seduc. Ela acrescenta que o órgão mantém psicólogos nas coordenadorias distritais e do interior para atender os casos.

Desde 2016, o órgão desenvolve campanha em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Bullying, comemorado no dia 7 de abril. O evento dura uma semana e vem somar na tarefa de intensificar a rede de proteção ao aluno. “É uma manifestação que exige ações preventivas. A escola deve incentivar o cultivo da paz e a motivação pessoal para termos uma escola mais atrativa”, ressalta Silva. 

Danos psicológicos

Embora seja uma prática conhecida há décadas, às vezes considerada uma brincadeira ou xingamento, o bullying pode provocar sérios danos na condição psicológica da vítima ao longo do tempo. “É diferente, pois trata-se de uma ação repetida, em que o agressor exclui, humilha e machuca”, explica a psicóloga Eliana Hayden, coordenadora de Ações de Prevenção e Enfrentamento às Violações dos Direitos das Crianças e Adolescentes da Secretaria Municipal de Educação (Semed).

O órgão não mantém registro dos casos de bullying entre alunos do ensino infantil e fundamental. Por outro lado, a psicóloga afirma que, por experiência própria, os relatos vêm diminuindo nos últimos anos, talvez devido à projeção que o problema ganhou na mídia e nas escolas. “Isso não significa dizer que acabou, porque temos professores que trabalham efetivamente na questão pedagógica em relação ao bullying”, esclarece Eliana. O foco são as relações interpessoais, com ênfase em regras básicas de convívio em sociedade, incluindo questões afetivas como o respeito por si e pelo outro.

A Semed dispõe de uma Gerência de Atividades Complementares e Programas Especiais voltadas à prevenção da violência nas escolas por meio de oficinas, rodas de conversa, palestras e filmes sobre o tema, entre outras atividades. A Semed dispõe ainda do Centro de Atendimento Psicopedagógicos (CEMASPs), que atende alunos com dificuldades de aprendizado e/ou já sofreram algum tipo de agressão dos colegas.

Apoio profissional nas escolas

Na opinião de Eliana Hayden, o veto do presidente Jair Bolsonaro ao PL 3688/2000 pode reduzir a efetividade de ações de prevenção e combate ao bullying. O projeto prevê a inserção de psicólogos e assistentes sociais na educação básica.

“Seria ideal que todas as escolas tivessem pedagogos em todos os turnos. Eles são uma peça fundamental”. No entanto, ela propõe que, na ausência desses profissionais, o psicólogo pode atender a demandas de alunos, em sua maioria problemas familiares.

E cabe à família a tarefa de evitar atos violentos cometidos pelos filhos nas escolas. “Temos vários fatores que levam ao bullying: falta de limites em casa, por exemplo. Os pais não impõem limites, não ensinam que é proibido bater e que o filho não pode ter o que quiser”, explica. “Elas devem observar o comportamento das crianças e estabelecer limites. A vítima sofre e o agressor também deve ser punido, então é melhor prevenir”, finaliza.

Alunos ameaçam fazer atentos em escolas

Outra problemática que vem preocupando é a de alunos que ameaçam fazer atentados em escolas de Manaus; foram pelo menos três neste ano, sendo dois casos registrados nesta semana. Os especialistas ressaltam que não dá para fazer relação direta entre casos de bullying e as ameaças, como causa-consequência.

O primeiro caso ocorreu no Instituto de Educação do Amazonas (IEA), no Centro. Em 14 de março, um dia depois do massacre na escola de Suzano, na grande São Paulo (onde 10 pessoas foram mortas, inclusive os dois assassinos), um aluno causou pânico ao usar um grupo de WhatsApp para fazer ameaças a colegas. A ameaça gerou tumulto na escola, além da suspensão das aulas, e foi parar na Delegacia Especializada em Apurações a Atos Infracionais (Deaai). À época a Seduc classificou o episódio como um caso isolado e informou que faria reuniões para realinhar medidas de segurança.

Na última segunda-feira, um adolescente de 17 anos confessou à Polícia Civil que era o verdadeiro autor de uma postagem nas redes sociais em que ameaçava cometer uma chacina na Escola Estadual Professor Roberto dos Santos Vieira, no bairro Nova Cidade, na Zona Norte de Manaus.

Pela manhã, a postagem causou uma grande confusão na unidade de ensino. Pais desesperados foram até a escola buscar seus filhos. Os alunos foram liberados para evitar mais tumultos. Na postagem, o estudante prometia um atentado na instituição e que iria fazer uma live (transmissão ao vivo) nas redes sociais para mostrar o massacre pela internet.

Após admitir a culpa, o autor da publicação afirmou que tudo não passou de uma brincadeira.

Há dois dias, uma nova ameaça de atentado em escola da Zona Norte. Dessa vez na Escola Estadual Ana Meire Marques da Silva, localizada na avenida Passarinho, conjunto Galileia. Pais acionaram a polícia, que checou e descobriu que tudo não passou de uma “fake news” plantada por alunos. A Seduc confirmou a apuração da polícia e informou que os estudantes responsáveis pela publicação foram identificados e seriam ouvidos pela coordenadoria distrital.

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