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Detentos

Detentos trabalham em reforma de delegacias para diminuir penas

A ideia é que os internos realizem os serviços em todos os DIPs em sistema de rodízio. Também há frentes de trabalho para manutenção da rodovia AM-070

13/09/2019 08h22
Por: Fernanda Souza
Fonte: Acrítica
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Reprodução
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Após ser admitido no Centro de Detenção Provisório Masculino 1 (CDPM 1), na rodovia BR-174, em janeiro de 2018, o vendedor de estivas Manuel Cardoso*, de 56 anos, só tinha um propósito em mente: trabalhar. Com o apoio de um colega de prisão, que também cultivava o mesmo objetivo, ele fez vários apelos ao diretor da unidade, mas começou a cumprir a remissão da pena 10 meses depois.

Além de exercer um ofício, Cardoso tentou encurtar o período na prisão por meio da leitura de livros. Ele cita com entusiasmo a obra “Florinha no País das Maravilhas”.  “É muito bom porque ela gosta da natureza, da planta e das flores”, explica. O tom ingênuo contrasta com as rugas e a expressão de cansaço, acentuada pelo suor que escorre no rosto enquanto capinava um canteiro no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), na Zona Sul de Manaus.

O local marcou o início das atividades do projeto “Trabalhando a Liberdade” nos Distritos Integrados de Polícia de Manaus, na manhã de ontem. Coordenado pela Secretaria de Estado de  Administração Penitenciária (Seap), o projeto teve início em janeiro deste ano, com apenas 20 participantes, e já envolve 1.100 detentos do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) na recuperação e reformas dentro e fora das unidades. A cada três dias trabalhados, o interno obtém a redução de um dia da pena.

“Primeiro, o interno deve mostrar disposição e vontade para ser ressocializado”, explica o tenente-coronel Vinícius Almeida, titular da Seap. “Depois, ele passa por avaliação com psicólogos e assistentes sociais. A direção da unidade prisional vai determinar se ele está apto para iniciar sua capacitação para trabalhar”, acrescenta.

 Capacitação

Dentre os cursos oferecidos pelo Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) nas unidades prisionais da capital, com duração média de três meses, estão o de pedreiro, pintor, eletricista e manutenção de ar condicionado.

Após a qualificação, os internos são direcionados para executar a função que escolheram. Durante a jornada, são monitorados pela guarda armada, por agentes de socialização e do Canil. No processo seletivo, verifica-se se o interno pretende cometer algum ato ilegal enquanto desempenha suas tarefas.

“É importante por causa da qualificação, da remissão da pena e por estarmos reinserindo e gerando economia no governo do Estado e na sociedade amazonense”, destaca Vinícius Almeida. Em seis meses, o uso de mão de obra carcerária representou uma economia de R$ 1,6 milhão aos cofres do  Estado.

Atuação nos DIPs e na AM-070

A ideia é que os internos realizem os serviços em todos os DIPs em sistema de rodízio. Depois da apresentação à imprensa, ontem, os internos seguiriam para a Delegacia do Idoso, no Parque 10 de Novembro. Há frentes de trabalho para a manutenção da rodovia AM-070, no estacionamento da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), na Cavalaria de Polícia e no Canil.

“Isso vai trazer melhoria dos prédios, no atendimento à população e no trabalho dos servidores, e também na autoestima dos presos. O recluso busca readquirir a importância que ele tem para a sociedade”, opinou Lázaro Ramos, delegado-geral da Polícia Civil, órgão parceiro da iniciativa.

“Nossas Cicoms e quartéis estão sendo reformados com esse trabalho, que vai reduzir a pena deles e reintegrá-los à sociedade. Estamos combatendo o crime, e, aqueles que estão procurando se ressocializar, acolhemos de braços abertos porque merecem uma chance”, afirmou o coronel Ayrton Norte,  comandante-geral da Polícia Militar.

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