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Combate

Fruto amazônico ajuda no combate à diabetes, aponta estudo da Ufam

Pesquisa de doutoranda sobre a 'pedra ume cáá' foi publicada pelo Canadian Institute of Food Science and Technology (CIFST), e apontou os benefícios no controle da glicose que o fruto amazônico oferece

01/07/2019 11h12
Por: Fernanda Souza
Fonte: A Critica
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Reprodução
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A pesquisadora Andreza Ramos, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), publicou no importante periódico internacional do Canadá (CIFST) uma pesquisa que aponta os benefícios da pedra ume-cáá no combate à diabetes. 

Por ter ação antioxidante e antiglicante, o fruto amazônico já era utilizada para ajudar no combate à doença, principalmente as folhas e flores, ainda que sem comprovação científica, apenas como conhecimento tradicional. “Com a pesquisa, comprovou-se que os frutos são realmente eficazes na prevenção e combate à diabetes”, diz Andrezza.

A pesquisa contou com o apoio e do Núcleo de Estudos Químicos de Micromoléculas da Amazônia (Nequima), coordenado por Marcos Machado, professor do departamento de química da Ufam.

“O ineditismo do trabalho está em que ela [ a autora ] identificou as substâncias presentes no fruto e quantificou usando uma técnica não convencional, o que só foi possível porque a Universidade recebeu um investimento muito alto nesse equipamento [o espectrômetro] e nesse laboratório e agora esse é o retorno. Estamos formando recursos humanos de qualidade, produzindo artigos de qualidade e, obviamente, levando a bioproduto para fazer o desenvolvimento sustentável da Amazônia”, relata o professor Marcos.

Reconhecimento

A pesquisa, publicada pelo periódico canadense com sede em Toronto, identificou a composição química da pedra-ume caá e verificou a presença de moléculas antioxidantes e antiglicantes, as quais são capazes de impedir ou reduzir a ação dos radicais livres que prejudicam as células e de deter o efeito do açúcar no organismo. 

Da família da goiaba e do camu-camu, a pedra-ume caá ou Eugenia pucicifolia, é um fruto pequeno, muito comum na Amazônia, mas ainda pouco utilizado pela população. Movida pelo desejo de descobrir as propriedades de frutos não convencionais, Andrezza se dedicou a estudar a pedra-ume caá.

“Eu tinha lido muitos trabalhos que faziam a diferenciação química de frutos com colorações variadas e isso me despertou o interesse. Eu queria saber se eles são diferentes mesmo, em qual estágio é possível consumir esse fruto, se in natura ou em forma de produto alimentício. Em seguida, surgiu a oportunidade de trabalhar com esses frutos e eu comecei a estudar”, revela.

Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior  (Capes), a pesquisadora contou ainda com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (do CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) que, por meio de pesquisadores colaboradores, também contribuíram para o desenvolvimento do trabalho.

De acordo com o professor Marcos Machado, o próximo passo será solicitar um pedido de depósito de patente do bioproduto elaborado

Doença silenciosa

A diabete é uma das doenças que mais vitima pessoas entre 50 e 70 anos de idade no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. No Amazonas, Entre 2011 e 2018, a diabetes já vitimou 5.007 pessoas no  estado do Amazonas. De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o número cresceu 43,6% no período, saindo de 586 mortes para 842 no ano passado. Dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) apontam que a quantidade de internações também cresceu: foram 1.525 em 2011 para 2.569, em 2018. O diabetes é responsável por complicações, como a doença cardiovascular, a diálise por insuficiência renal crônica e as cirurgias para amputações dos membros inferiores.

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