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07/04/2018 ás 11h10 - atualizada em 07/04/2018 ás 19h13

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Manaus / AM

Após 40 horas, Lula deixa Sindicato dos Metalúrgicos e deve ir para prisão
Ex-presidente está em carro de som da CUT e cercado por milhares de militantes petistas
Após 40 horas, Lula deixa Sindicato dos Metalúrgicos e deve ir para prisão
Daniel Ferreira/Metrópoles

Aos gritos de “Lula, guerreiro, do povo brasileiro’ e ‘não se entrega, não se entrega”, Luiz Inácio Lula da Silva deixou o edifício sede do Sindicato dos Metalúrgicos, no ABC Paulista após mais de 40 horas de confinamento. O petista fugiu do tradicional vermelho e escolheu uma camiseta azul marinho e calça jeans. Ao lado de lideranças do Partido dos Trabalhadores, como a ex-presidente Dilma Rousseff, o líder esquerdista subiu no carro de som da Central Única dos Trabalhadores (CUT).


O ex-chefe do Executivo nacional saiu do entrincheiramento com a justificativa de participar da missa em memória a dona Marisa, que faria 68 anos. A cerimônia é celebrada por dom Angélico Sandalo Bernardino. O clérigo de 85 anos é amigo pessoal de Lula e, inclusive, em janeiro, ganhou dele um almoço surpresa. O religioso também conduziu a missa de corpo presente no velório da ex-primeira dama, que morreu em fevereiro de 2017.


Angélico foi nomeado bispo em 2000 e, atualmente, dirige a Diocese de Blumenau (SC). O religioso é conhecido por ter uma inclinação política à esquerda. Na época do impeachment de Dilma Rousseff, fez discursos dizendo que se tratava de um golpe.


Durante o sermão que antecede a detenção de Lula, o bispo classificou a decisão de Sérgio Moro com um golpe. “Aqueles que deferiram longos golpes terão que permanecer com o pesadelo, mas na memória do povo brasileiro ficará marcada a resistência”, disse.


Durante a missa, o clima na militância é de tristeza. Com a certeza da rendição da maior liderança da esquerda no país, muitos se abraçavam e choravam. Alguns ainda tentavam convencer os colegas a resistir e não aceitar que Lula fosse levado por agentes federais.


Fachin nega HC


O local está cercado por milhares militantes da esquerda e representantes de movimentos sociais. Enquanto todos aguardam o desdobramento dos fatos neste sábado, Lula, mesmo com a prisão decretada, não desistiu de recorrer à Justiça para impedir a execução da pena de 12 anos e 1 mês de reclusão à qual foi condenado.


Após ter pedido de habeas corpus negado pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Felix Fischer, a defesa do petista focou todos os esforços no Supremo Tribunal Federal (STF). Na corrida contra o tempo para garantir a liberdade do ex-presidente, a Corte representava a última esperança.


A aposta dos advogados de Lula era uma reclamação constitucional ajuizada na noite dessa sexta-feira. No processo, a defesa argumenta que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) descumpriu a lei ao permitir a prisão do político, pois, para os advogados, ainda não acabaram todos os recursos possíveis em segunda instância.


Como a ação sob a relatoria do ministro Edson Fachin, as chances do petista foram por água abaixo, que negou o HC neste sábado. O magistrado é um dos que defende no STF a prisão após condenações em segunda instância. No julgamento que definiu a jurisprudência sobre o tema, em 2016, expressou esse posicionamento e, como relator de habeas corpus impetrado pela defesa de Lula, negou o pedido tanto em fase liminar como no plenário.

FONTE: Metrópoles

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