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30/03/2018 ás 10h36 - atualizada em 30/03/2018 ás 10h45

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Manaus / AM

Em grave crise financeira, UnB pode parar de funcionar em agosto
Previsão é da decana de Planejamento e Orçamento da Universidade de Brasília, Denise Imbroisi. Rombo no orçamento chega a R$ 92,3 milhões
Em grave crise financeira, UnB pode parar de funcionar em agosto
Rafaela Felicciano/Metrópoles

Se não tiver contingenciamento, a UnB para de funcionar em agosto”. Foi com essa frase que a decana de Planejamento e Orçamento da Universidade de Brasília, Denise Imbroisi (foto de destaque), abriu reunião pública para tratar da crise financeira da instituição, que registra um rombo de R$ 92,3 milhões em seu orçamento para este ano. O evento reuniu, nesta quinta-feira (29/3), representantes de toda a comunidade acadêmica.


A universidade anunciou ser necessário cortar despesas, e isso implicaria em redução de terceirizados, estagiários e subsídios, como o oferecido aos estudantes que se alimentam no Restaurante Universitário (RU). A medida pode aumentar em até 160% o valor das refeições, dependendo da condição financeira do aluno. Outras contenções também estão sendo analisadas.


A previsão é que haja um corte de 15% nos contratos de prestação de serviços, pois é necessário reduzir R$ 25 milhões nessa área. “Já estamos negociando com as empresas. Não há como não ter prejuízo, com os corte de repasses do governo federal.  Nossa perda de receita foi grande”, afirmou a reitora.


Em 2016, quando os acertos com as empresas já estavam fechados, o repasse do Tesouro para a UnB foi de R$ 217 milhões. Em 2018, caiu para R$ 137 milhões, 45% a menos. A crise levou as empresas a demitirem 350 terceirizados em 2017. Caso não haja acordo com as contratantes, mais profissionais podem perder os cargos.


Com o auditório verde da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Gestão de Políticas Públicas (Face) lotado, a reitora Márcia Abrahão foi recebida pelos estudantes com gritos de “não aceitamos demissões. Mexeu com os terceirizados, mexeu com a gente”.


A reitora ouviu os protestos e conversou com a imprensa. Segundo a gestora, foram realizadas diversas reuniões com o Ministério da Educação (MEC) para tentar conseguir recursos. No entanto, afirmou ela, “cortes são inevitáveis”.


De acordo com Márcia Abrahão, “o MEC tem recebido os representantes da UnB e se mostrado sensível, mas, infelizmente, mesmo com as explicações e apelos, não foi obtida nenhuma resposta positiva”. Além de não haver retorno prático quanto aos pedidos da UnB, a pasta sinalizou um cenário ainda mais duro, com a possibilidade de publicação de um novo decreto de contingenciamento, nos próximos dias, pontuou a reitora.


Na segunda (26), trabalhadores da limpeza da universidade cruzaram os braços e fizeram uma manifestação contra o provável desligamento de 242 funcionários da RCA Serviços. Conforme informou o coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), Maurício Rocha, a quantidade representa 55% do efetivo da categoria. “Nós achamos que mesmo com um corte no orçamento, é possível negociar, evitar as demissões”, defendeu o sindicalista.


O Sintfub denuncia que, desde o segundo semestre de 2016, cerca de 1.500 empregados da UnB foram desligados. Além dos trabalhadores da limpeza, vigilantes, copeiros e motoristas também estão ameaçados. “Vamos exigir uma mesa de negociação com a reitora”, diz Maurício Rocha.


Parcerias e união


A crise, claro, preocupa toda a comunidade universitária. O presidente da Associação dos Docentes da UnB (AdUnB), Virgílio Arraes, disse, em nota, que “a despeito dos baixos salários e de outras condições insatisfatórias, o professorado tem mantido seu compromisso com ensino, pesquisa e extensão, componentes essenciais da cidadania”.


Por sua vez, o presidente da Associação dos Servidores da Fundação Universidade de Brasília (Asfub), Herbet Mota, acredita que, inicialmente, caso o corte de funcionários terceirizados de fato ocorra, o impacto gerado não deverá atrapalhar o andamento dos trabalhos do órgão.


O estudante do 7º semestre de direito, Gabriel Araújo, 21 anos, a situação é preocupante. “Todos os alertas eram para falta de recursos do MEC e uma possível greve da Universidade. Se a UnB começa a demitir as categorias de base, aumenta a possibilidade de chegar aos estudantes, de cortar verba de pesquisa, de extensão “, afirmou.


Segundo ele, se o preço do Restaurante Universitário (RU) aumentar de R$ 2,50 para R$ 6,50 seria difícil para os estudantes. “Passamos o dia inteiro aqui. Depois da instituição das cotas vivemos outra realidade na UnB. É caro para o aluno”, disse Gabriel.


FONTE: Metrópoles

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