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Miss Amazonas 2017 supera críticas e ofensas e segue para o Miss Brasil Universo
Miss Amazonas 2017 e Rainha do Peladão 2012, Juliana Soares conta os dias para o Miss Brasil 2017, que será no dia 19 de agosto; fala sobre sua preparação para o concurso e diz que só a educação pode salvar um País
Portal Holofote Manaus - AM
Postada em 09/08/2017 ás 16h45 - atualizada em 09/08/2017 ás 16h50
Miss Amazonas 2017 supera críticas e ofensas e segue para o Miss Brasil Universo

Juliana Soares tem 23 anos, 1,75 cm de altura e pesa 58 kg (Fotos: Hudson Barros/Divulgação)

 


A famosa lenda da fênix nos conta que a ave, ao morrer, era consumida por chamas e, do próprio fogo, renascia. A história muito se assemelha à de Juliana Soares, Miss Amazonas Universo 2017, que por duas vezes - no sentido literal e no figurado - precisou renascer das cinzas. A primeira foi aos 13 anos, quando morava na zona rural de Manaus e teve sua casa destruída por um incêndio, precisando se mudar com a família para a cidade; e, mais recentemente, após eleita a mulher mais bela do Estado e às vésperas do Miss Brasil 2017, se superando com determinação e calando críticos que a menosprezaram por não verem nela “potencial de miss”.


Além de miss, Juliana é atleta de vôlei profissional – desde os 12 anos ela compete por todo o Brasil. A ligação com o esporte, anos mais tarde, fez a estudante de educação física se candidatar ao concurso Rainha do Peladão no ano de 2012, a pedido do pai, e se sagrou vencedora. Ela conta que os aprendizados obtidos no concurso local a ajudaram no Miss Amazonas. “O Rainha do Peladão, além de me ajudar na passarela, me ajudou a ser desinibida, a falar e me expressar, saber me apresentar para as pessoas, nos lugares. Apesar dos concursos [do Miss AM e Rainha do Peladão] serem diferentes, eles têm a mesma essência”, declara Juliana.


Determinação


Por ser atleta, Juliana possui uma determinação impressionante. Tanto é que, ao se inscrever no Miss Amazonas 2017, ela pesava 76 kg. Em três semanas, ela emagreceu 10 kg e assim permaneceu até o dia do concurso. Já como rainha da beleza amazonense, ela perdeu mais 8 kg, totalizando 18 kg perdidos em quatro meses. “O título de Miss Amazonas é uma responsabilidade muito grande, que eu encaro com muita seriedade. Sabia que eu tinha que lutar por isso. Existem várias pessoas que esperam uma coisa de você, que se inspiram em você. Então você não pode fazer as coisas de qualquer jeito”, pondera ela.


Na preparação para o Miss Brasil Universo, promovido pela Polishop e que acontecerá no dia 19 de agosto em Ilhabela (SP), Soares tem uma alimentação regrada por uma nutróloga, e na maior parte do tempo pratica musculação. “Tive acompanhamento de personal, fora os médicos, toda a equipe que estava por trás”, diz ela, que não levava as críticas que sofreu ao ser eleita – muitas direcionadas aos cabelos, ao corpo e aos dentes - para o lado pessoal. Mas, em meio às críticas, Juliana sofreu ataques racistas, sobre os quais ela aproveita para refletir - e fazer refletir.


“Crítica é diferente de ofensa, e acho que ofensas não merecem respostas. Aceito críticas numa boa, tanto é que ouvia as críticas que poderiam me fazer melhor e absorvia. Agora ofensa é diferente de crítica e as pessoas precisam parar de confundir as duas coisas”, afirma ela, que recebeu pedidos de desculpas de muitas pessoas. “Fico muito feliz em ver que as pessoas que criticavam mudaram de opinião”, pontua ela.


Empatia


Os conhecidos de Soares destacam nela o coração forte e bondoso. Não é a toa que ela é uma das coordenadoras do projeto social Caravana Ribeirinha, que elabora atividades físicas para os ribeirinhos do interior do Amazonas. Uma das ações do projeto vai acontecer no dia do Miss Brasil 2017 – o tão aguardado dia 19.


“Vamos ter um ano inteiro de calendário, uma ação em cada mês. Os exercícios são distribuídos por faixa etária. Na educação infantil, fazemos um jogo simbólico, onde as crianças ensaiam papéis sociais. Os maiores fazem atividades de capoeira, vôlei... as comunidades dançam zumba. Promovemos atividades físicas, mas pensando no desenvolvimento cognitivo e social”, afirma ela.


O projeto, que antes agregava somente as crianças, se expandiu e hoje agrega os pais e os funcionários das escolas ribeirinhas. Agrega também outras atividades complementares, como um brechó que arrecada roupas para doar às famílias ribeirinhas, além de cestas de alimentos. Até os animais de estimação das populações tradicionais são contemplados.


“Para a ação do dia 19 conseguimos parceria com uma veterinária, que vai vermifugar os animais das comunidades e orientar na questão da criação e saúde dos animais”, declara Juliana, que tem um sonho: o de que o projeto cresça e se expanda para as comunidades indígenas, e para outras comunidades carentes do Amazonas – e do Brasil, se caso vença o título máximo do concurso. “Seria uma ótima ideia, e todo mundo só tem a ganhar”.


Educação e representatividade


Nesta quarta (8), Soares chegará em São Paulo para dar início às atividades do confinamento do concurso, que também reunirá as outras 26 candidatas, e se estenderá até o dia do Miss Brasil. Prestes a ter contato com tantas outras culturas brasileiras, Juliana, que sonha em ser professora no futuro, alega que levará a mensagem de que somente a educação é capaz de mudar um País.


“A educação física fez parte de toda a minha vida. Nesses três pilares eu acredito muito, que é o esporte, a educação e a família, porque foi o que me construiu como indivíduo. Isso que eu quero que as pessoas valorizem, vejam e que construam em si para que mude a vida das pessoas e da sociedade”, coloca ela.


Outra questão aborda o reinado de Juliana: a representatividade negra. Soares, que tem bisavó indígena, bisavô holandês e pais negros, é a segunda miss negra do Amazonas na franquia Universo – a primeira foi Eliana Marques, em 1988. Ao ser eleita, parte das ofensas do público se direcionaram ao fato de Juliana ser negra, e não ter as características indígenas regionais dos amazonenses.


“A beleza da mulher amazonense vai muito além de estereótipos. Quer dizer que as moças de traços asiáticos e ruivas não podem competir ao Miss Amazonas por não terem os traços nativos? E tem gente que diz que eu não sou negra. Eu me vejo como negra. Não gosto de ser chamada de morena, ou de mulata. As pessoas deviam aceitar isso com mais naturalidade, porque temos uma miscigenação grande no Estado e no País. Não representamos só uma raça, representamos a humanidade. A todas as pessoas". 


Serviço


o quê: Miss Brasil Be Emotion 2017


quando: 19 de agosto, às 22h30 


onde: Rede Bandeirantes



 

FONTE: Portal A Crítica
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