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Brasil

31/10/2018 ás 18h09

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Jéssyca Lorena

Manaus / AM

Estudante que ameaçou matar 'negraiada' em vídeo é indiciado por crime racial
Pedro Bellintani Baleotii, de 25 anos, pode pegar de dois a cinco anos de prisão. Ele pediu desculpas pelo vídeo
Estudante que ameaçou matar 'negraiada' em vídeo é indiciado por crime racial
Divulgação

A Polícia Civil indiciou o estudante de direito Pedro Bellintani Baleotii, de 25 anos, por crime racial após ele aparecer em vídeo indo votar com uma camiseta do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) dizendo: “Tá vendo essa negraiada? Vai morrer!”.


Segundo a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do DHPP, o estudante vai responder pelas penas incluídas no artigo 20, parágrafo 2., da Lei do Crime Racial 7.716/89: "Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, estando sujeito a reclusão de dois a cinco anos e multa".


No vídeo, o estudante diz que está "indo votar ao som de Zezé, armado com faca, pistola, o diabo, louco pra ver um vadio vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo, ó, tá vendo essa negraiada (apontando a câmera para uma moto ocupada por duas pessoas), vai morrer, vai morrer, é capitão caralho!". Um segundo vídeo recebido pela Decradi também é protagonizado pelo mesmo autor onde ele aparece no interior de um apartamento manuseando uma arma de fogo, dizendo: "Capitão levanta-te, hoje o povo brasileiro precisa de você".


Pedido de perdão


O estudante do Mackenzie afirmou que não é “racista, nem preconceituoso, muito menos violento”. "Só queria pedir perdão pelos sentimentos que eu causei nas pessoas que se sentiram até ameaçadas, enfim, agredidas, pela contundência do meu áudio aí completamente infeliz”, disse Baleotii à reportagem da TV Globo pelo telefone nesta terça-feira (30).


Em depoimento à polícia, o estudante disse que o vídeo foi feito a caminho da votação, em Londrina, seu domicílio eleitoral, e que divulgou essa gravação em um grupo do whatsapp que participava, mas que teria se arrependido e apagado o conteúdo. Sobre o segundo vídeo, em que aparece segurando um revólver, o estudante disse que o gravou na casa de seus pais, em Londrina, antes do primeiro turno das eleições.


"Sobre a arma usada no vídeo, o investigado afirmou que pertencia ao seu avô, acreditando que esteja registrada em nome de seu pai. Ele se comprometeu a encaminhar à Decradi a documentação da arma de fogo", diz nota da Polícia Civil de São Paulo.


Suspenso da faculdade


Pedro é estudante do último semestre de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo. Centenas de alunos da instituição protestaram em dois atos durante a manhã e à noite de terça-feira (30) contra as declarações racistas e pedindo a expulsão do rapaz.


A faculdade suspendeu o estudante por cinco dias e divulgou nota afirmando que “tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas”. Nesta quarta-feira, uma comissão de professores iria analisar o caso e pretendia ouvir o aluno. Pedro pode vir a ser expulso da faculdade.


Veja a nota do Mackenzie


“A Universidade Presbiteriana Mackenzie tomou conhecimento de vídeos produzidos por um discente, fora do ambiente da Universidade, e divulgados nas redes sociais, onde ele faz discurso incitando a violência, com ameaças, e manifestação racista.


Tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas por nossa Instituição que, de imediato, instaurou processo disciplinar, aplicando preventivamente a suspensão do discente das atividades acadêmicas. Iniciou, paralelamente, sindicância para apuração e aplicação das sanções cabíveis, conforme dispõe o Código de Decoro Acadêmico da Universidade.


Benedito G. Aguiar Neto


Reitor"


O Ministério Público de São Paulo também se manifestou sobre o caso e informou que a Promotoria de Direitos Humanos "requisitou a instauração de inquérito policial e também representou junto à comissão de ética da OAB, para apuração da conduta do estudante".


o saber do episódio, o escritório de advocacia em que o rapaz trabalhava desde julho como estagiário anunciou sua demissão na noite de segunda-feira (29).


Em sua página oficial no Facebook, a empresa publicou uma nota de repúdio. Veja abaixo:


NOTA DE REPÚDIO


O DDSA tomou conhecimento, na tarde de hoje, de vídeo que circula nas redes sociais com declarações efetuadas por acadêmico de Direito que fazia estágio no escritório e imediatamente o desligou de seus quadros.


O escritório repudia veementemente qualquer manifestação que viole direitos e garantias estabelecidos pela Constituição Federal.


FONTE: G1

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