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Cultura

21/08/2018 ás 17h02

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Jéssyca Lorena

Manaus / AM

Pesquisa revela que Manaus possui um dos mais baixos consumos culturais do país
Em levantamento inédito feito pela JLeiva, em parceria com o Ministério da Cultura e o Instituto Datafolha
Pesquisa revela que Manaus possui um dos mais baixos consumos culturais do país
Divulgação

Uma pesquisa inédita realizada pela JLeivaCultura & Esportes em parceria com o Ministério da Cultura revelou que Manaus é uma das metrópoles brasileiras com os piores índices no que se refere a consumo cultural no país. O resultado, apresentado nesta segunda-feira (20) na capital, traz um balanço inédito sobre a relação da população de 12 capitais brasileiras – Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo – com a cultura em sua cidade.


A apuração, feita com auxílio do Instituto Datafolha, ouviu 606 moradores de Manaus, entre 14 de junho e 27 de julho de 2017, a respeito de suas práticas culturais ao longo dos 12 meses anteriores. Manaus aparece abaixo da média em pelo menos dez dos doze critérios utilizados durante a pesquisa.


Para o produtor cultural  e diretor-proprietário do Casarão de Ideias, João Fernandes, a pesquisa apresenta uma pequena amostra da realidade manauara, que vem mudando ao longo dos últimos anos. 


“Eu, enquanto produtor e gestor, acredito que o público tem sim procurado consumir cultura. Contudo, acessibilidade e acesso à informação são pontos que pesam e nos colocam em desvantagem. Mesmo quem é da área não sabe de todos os eventos na cidade. Ou seja, não é que a população não consuma cultura, é que ela não tem acesso a tudo o que acontece”, explicou Fernandes.


Parte desta falta de acessibilidade se deve ao fato de que os eventos culturais estão concentrados em apenas algumas áreas da cidade. De acordo com ele, Manaus carece de uma política pública que homogenize o acesso à cultura na capital. 


“A distribuição dos equipamentos culturais não atinge todas as zonas da cidade. Muitas vezes, os eventos, até mesmo por culpa dos próprios produtores, ficam concentrados no Centro. Regiões periféricas, como as zonas Leste e Norte, são constantemente esquecidas”, afirmou o produtor cultural. 


O percentual de manauaras que vão a shows e ao teatro é o mais baixo entre as capitais consultadas e equivale respectivamente a 37% (9% abaixo da média) e 23% (7% abaixo da média). A pesquisa também revela que apenas 24% dos amazonenses têm o hábito de ir a museus e somente 36% frequentam bibliotecas. 


A dependência de eventos gratuitos para frequência em eventos culturais, respondida por 45% dos entrevistados, foi outro fator sobre a população local apontado pela pesquisa. É a segunda capital com maior índice neste quesito, atrás apenas de Fortaleza.


“Diferentemente das demais capitais incluídas na pesquisa, que contam com leis municipais e estaduais de incentivo à cultura, Manaus não possui uma periodicidade em seus editais. Com mais fomento, teríamos mais espetáculos e mais público”, reiterou Fernandes.


Formação


Para o secretário executivo da Secretaria de Cultura do Amazonas (SEC), Taciano Soares, os números trazem um recorte diferente do que se observa hoje, pouco mais de um ano após a realização do levantamento. “No período em que a pesquisa foi feita o Teatro Amazonas estava fechado, hoje os espaços culturais administrados pela SEC estão abertos de domingo a domingo. Naquele período nós tínhamos um público médio de 6 a 7 mil pessoas no Teatro e hoje essa média passa de 16 mil visitantes”, afirma ele.


Embora a perspectiva seja de melhora, Soares reconhece que mesmo os números atuais ainda são baixos em relação a outras capitais. Para ele, a melhora no fomento da cultura é fruto de um trabalho de formação. 


“Quando eles falam desse assunto, estão falando de consumo cultural, algo pouco debatido. Quando se fala sobre consumo a gente tem que levar em conta a formação, ou seja, a escola e o ambiente. No interior, onde nós temos poucos equipamentos, estamos investindo em formação, que é fundamental. Oficinas, escolas de música, de desenho, isso tem modificado a realidade, mas claro, ainda temos um caminho gigantesco”, finaliza Soares.

FONTE: A Crítica

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