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Cidades

07/08/2018 ás 13h36 - atualizada em 07/08/2018 ás 14h10

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Jéssyca Lorena

Manaus / AM

Mulher que morreu ao cair do 3º andar no DF foi estrangulada 1 dia antes, diz testemunha
Idoso que dividia apartamento com vítimas prestou depoimento na Polícia Civil. Cena do crime foi alterada
Mulher que morreu ao cair do 3º andar no DF foi estrangulada 1 dia antes, diz testemunha
Reprodução

A principal suspeito pelo feminicídio de Carla Zandoná – que morreu nesta segunda-feira (6), após cair do terceiro andar de um prédio residencial na Asa Sul, em Brasília – tentou estrangular a mulher na noite de domingo (5), segundo o depoimento de Salmon Lustosa Elvas à Polícia Civil.


O aposentado, de 75 anos, dividia apartamento com Carla e Jonas Zandoná. Ele prestou depoimento na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) após o crime. Salmon estava em casa no momento em que Carla caiu da janela e quando ocorreu o suposto estrangulamento.


Em audiência de custódia, nesta terça-feira (7), o juiz determinou a prisão preventiva de Jonas (leia mais abaixo). Segundo a Polícia Civil, ele tinha longo de histórico antecedentes criminais. Em janeiro de 2017, foi preso pela Lei Maria da Penha contra Carla.


Na época, a Justiça aplicou medidas protetivas favoráveis à vítima – o marido não poderia se aproximar a menos de 300 metros de distância nem entrar em contato com ela por telefone ou internet. Em abril, porém, o processo foi arquivado.


Além disso, em 2018, Jonas foi detido por tentativa de furto a um supermercado da quadra em que ele morava. Ele também foi indiciado seis vezes por lesão corporal contra outras vítimas.


Por volta das 11h30, o corpo de Carla Zandoná ainda passava por necropsia no Instituto Médico Legal (IML). A data e o horário do velório e do enterro não haviam sido divulgados até a última atualização desta reportagem.


Cena modificada


A cena do crime foi alterada antes de a perícia chegar. Uma fonte da Polícia Civil relatou ao G1 que duas portas da casa foram arrombadas – a da entrada e a do quarto de Salmon –, que havia roupas espalhadas na sala e em um dos quartos, e que uma faca que poderia ter sido utilizada pelo suspeito tinha sido colocada no balcão da cozinha.


No local, os militares que atenderam a ocorrência disseram ter feito as alterações para procurar armas. Na visão da Polícia Civil, porém, as buscas podem comprometer a investigação.


Em nota enviada ao G1, a Polícia Militar afirmou que "precisou entrar no apartamento diante de recusa em abrir a porta para levar o suspeito até a DP e esclarecer os fatos, evitando o perigo de fuga. O suspeito estava com uma arma branca e foi preso graças a ação da PMDF."


Prisão preventiva


Durante a audiência de custódia, nesta terça (7), o juiz Aragonê Nunes determinou que a prisão de Jonas Zandoná seja convertida em preventiva. Com isso, ele ficará detido por tempo indeterminado.


"Com efeito, os fatos são concretamente graves. Segundo consta, o autuado teria jogado sua companheira pela janela, permanecendo na residência como se nada tivesse acontecido. Some-se a isso os relatos trazidos pelas testemunhas, no sentido de que as brigas, agressões e ameaças seriam constantes", declarou.


"Todo esse cenário evidencia uma escalada criminosa, que resultou na triste morte da vítima."


De acordo com o juiz, o fato de ele ter aparente distúrbio psiquiátrico não pode servir de desculpa para praticar crimes. Por isso, a prisão dele é para "garantir a ordem pública" e preservar as investigações.


Em outro caso de feminicídio, o delegado disse que "não tinha bola de cristal" para prever crimes. Na ocasião, ele tinha soltado um suspeito três dias antes de matar a ex-namorada a facadas.


Entenda o caso


Jonas Zandoná, de 44 anos, foi preso em flagrante pela suspeita de ter jogado a mulher, Carla Graziele Rodrigues Zandoná, de 37, do terceiro andar do prédio em que moravam, na quadra 415 Sul, em Brasília. Ela caiu no gramado, foi resgatada para o Hospital de Base, mas morreu na unidade de saúde.


Uma vizinha, que é bombeira, passava pelo local no momento da queda e prestou os primeiros socorros. O Corpo de Bombeiros foi acionado em seguida.


Segundo o sargento Sérgio Pereira, da Polícia Militar, Carla foi encontrada "de costas ao chão", o que descartaria a hipótese de suicídio.

FONTE: G1/DF

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