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Cidades

10/07/2018 ás 09h51 - atualizada em 10/07/2018 ás 14h54

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Jéssica Senna

Manaus / AM

Pai de jovem linchado diz ter feito sua parte, mas se arrepende de confiar na Justiça
O linchamento de Gabriel aconteceu após dezenas de pessoas invadirem o quartel da Polícia Militar do município, onde ele estava preso.
Pai de jovem linchado diz ter feito sua parte, mas se arrepende de confiar na Justiça
Reprodução/ Facebook

“Foi a pior notícia da minha vida”. É assim que José Gonçalves Cardoso, 47, conhecido como “Pastor Cardoso”, define o ocorrido com o filho Gabriel Lima Cardoso, de 18 anos, na noite desse domingo (8). Suspeito de estuprar e matar com 16 facadas na última quarta-feira (4) uma adolescente de 14 anos, Gabriel foi linchado e queimado em via pública no município de Borba (a 151 km de Manaus).


O linchamento de Gabriel aconteceu após dezenas de pessoas invadirem o quartel da Polícia Militar do município, onde ele estava preso, e o tirarem de lá. Horas após sepultar o filho, na tarde desta segunda-feira (9).


“Eu chamei o advogado para entregar meu filho à Justiça para ele não ficar impune diante da gravidade do que tinha acontecido. Eles deram toda a garantia de que iriam manter a integridade física dele. Ele foi entregue à justiça. Porém, policiais vazaram a informação para a população e a família da moça que tinha sido morta. Graças a Deus, eu estou vivo. Porque eu não fui com meu filho. Só foi com ele, o advogado e o investigador”, contou o Pastor Cardoso.


‘Pastor, mataram seu filho’


O pai de Gabriel não é de Borba. Natural de Novo Aripuanã (a 227 km de Manaus), o pastor Cardoso mora há 24 anos no município, por conta do trabalho religioso. O choque provocado pela pior notícia da vida foi recebido na casa de seu outro filho.


“Ouvi os fogos que estavam sendo soltos pelos lados da delegacia e, quando uma pessoa chegou na casa chorando, eu estava com muito medo porque disseram que iriam invadir a minha casa. Essa pessoa chegou chorando, desesperada e disse: ‘pastor, mataram seu filho’. Foi a pior notícia da minha vida. Eu fiquei em um estado de nervos tão grande, que eu... (pausa) agora eu estou tremendo por dentro”, relembrou .


‘Eu sepultei meu filho todo quebrado, todo queimado’


Vídeos com as cenas do linchamento começaram a circular pelas redes sociais e aplicativos de mensagens começaram ainda na noite de domingo. Imagens que o Pastor Cardoso prefere não ver.


“Eu confesso que não tive coragem de ver nenhum vídeo do que fizeram com meu filho. Apenas o vi quando fui sepultá-lo hoje. Eu sepultei meu filho todo quebrado, todo queimado. Uma coisa absurda. Quatro vereadores estavam lá presentes e não fizeram nada”, revelou o pai. O corpo de Gabriel foi sepultado às 11h desta segunda-feira.


‘Ele tinha que pagar pelo erro que cometeu. Mas a Justiça não fez a parte dela’


José acredita em uma falha por parte do aparato de segurança do Estado. “Tiraram meu filho, mataram ele brutamente, tacaram fogo nele. Como pai, eu me sinto revoltado. Porque confiei na Justiça, que eles iriam proteger meu filho”, reclamou o pastor, que afirma ter a consciência tranquila.

FONTE: A Crítica

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